Destralhar e treinar o nosso dragão
Às vezes parece-me que ando sempre à volta do mesmo, dar ordem e gerir a desordem das coisas do quotidinano, sem me elevar um centímetro que seja deste limbo.
Tenho vontade de mudar, de fechar os olhos, ou colocarem-me uma venda e quando voltar a abrir os olhos ou a retirar a venda encontrar tudo tal qual no meu sonho.
Contudo bem sei que uma mudança, sem ação efetiva do seu agente, não acontece! Se quero mudar vou ter de arquitetar um plano, com metas e objetivos e estabelecer as ações necessárias para percorrer o caminho desse palno. Vou ter de agendar, colocar alarmes e lembretes a tocarem, vou ter me comprometer comigo mesma, caso contrário fico apenas pelo sonho, a suspirar pela realização dos desejos. Vou ter que ser um pouco austera e teimosa comigo própria.
Ou então não!
A alternativa existe e consiste na forma como encaramos as tarefas. Se desejarmos realizá-las, se na execução conseguirmos encontrar a nossa vida, o nosso objetivo, então basta desfrutar do momento, mesmo que seja a passar a ferro, a dobrar roupa, a limpar o pó, seja o que for, se for feito com o sentimento de realização, fica melhor, custa menos e completa-nos mais.
Quando confluem para o mesmo dia e para a mesma hora diversos objetivos diversos quereres, diversas atividades, é que a "coisa se complica". E aí entra o ingrediente secreto da fórmula anterior (a fórmula: posso atingir as minhas metas com menos esforço e menos austeridade, se as encarar como interessantes, benéficas, divertidas). O ingrediente secreto: conseguir priorizar as tarefas, dar-lhes o máximo de concentração, o que significa não ser interrompida, prever um tempo razoável para as realizar e saber dizer não adequadamente a outras tarefas e atividades que confluem para aquele espaço, tempo e vontade.
No livro "cuide da casa, cuide de si" a autora Diana Quan, explica quais os melhores métodos orientais para tirar mais partido da casa, e começa pela meditação e o relaxamento.

Parodoxal?
À primeira vista, certamente que sim. Quando o que pretendo é dar ordem, destralhar e limpar o ambiente em que vivo para que em espelho a minha mente se reflita no espaço e esteja também ela limpa, calma e tranquila e por sua vez o meu corpo esteja também ele em harmonia, então, ler o livro, meditar, relaxar, parece que não vão em nada ajudar, muito pelo contrário, quando eu abrir os olhos, depois da meditação é muito provavel que esteja tudo na mesma.
O facto é que não está!
Depois de meditarmos, relaxarmos conseguimos o distanciamento necessário e a predisposição mental adequada para iniciarmos uma tarefa, será mais fácil concentrarmo-nos e retirarmos dela prazer.
Começar pela arrumação dos pensamentos faz todo o sentido, antes de partirmos sem planos, para qualquer coisa a que nos propomos. Antes de começar qualquer coisa, se esta estiver bem enquadrada nas nossa prioridades, balizada no tempo adequado e se para esse momento não confluirem outros interesses e prioridades, tudo correrá bem e sentiremos que nos estamos a realizar, que tudo se harmoniza e flui.
Quando outros interesses, objetivos, vindos do exterior, pressionam ou alteram as circustâncias, deveremos ter a "paz de espírito" para receber a interferência e geri-la. Será possível, agendá-la para outra altura? Será possível redefini-la? Ou pelo contrário será melhor aceitar e adiar o projeto em que estavamos empenhados?
Cabe a nós, em cada momento, tomar esta decisão e tomaremos decisões cada vez melhor se treinarmos o nosso (dragão) cérebro.
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