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A mostrar mensagens de maio, 2021

Sem planos acontece o acaso

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Planear uma viagem, um acontecimento, definir um objetivo, tem riscos, acarreta desilusões e frustrações mas, sem um plano fica-se à mercê do acaso e/ou dos planos dos outros. Planear exige reflexão, ponderação, cálculos e ousadia. Emil Brack - Planning the Grand Tour Saber fazer um bom plano de ação, estar motivado e empenhado na criação e execução de um plano é ter combustível, ter alma e colocar o nosso motor em funcionamento. Os planos partilhados são de um grau de exigência superior, incluem negociação, diálogo, cedências, ajustes mas, a sua realização implica uma maior satisfação e o que se alcança muitas vezes vai para além do que seriamos capazes individualmente. Saber planear individualmente ou coletivamente é um segredo a aprender e a usar. Planear deverá incluir uma boa percentagem de imprevistos, planos B, C  e D... quanto mais complexo for o objetivo, melhor deverá ser o plano, e quando o objetivo é a nossa vida, a nossa realização, não deveremos ser poupados em planos, de...

Acertar o relógio biológico

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Quando tudo parece desregulado, fora do normal, condicionado, algo caótico, apesar de demasiado arrumado, necessitamos de indicadores externos que nos ajudem a acertar os nossos ponteiros internos com a vida lá fora.  Podemos procurar esses indicadores nos eventos culturais, nos eventos sociais, na família, no ambiente. Acertar o relógio interior significa marcar os dias e as horas por forma a que se note que é determinado dia, que estamos em determinada hora, que neste dia e nesta hora há algo diferente a acontecer. Acertar o relógio significa que os dias não são uma longa sucessão de dias, simples dias, uns atrás dos outros, sem grande diferença entre si. Quando assim é os dias e as horas transforam-se em tempo e espaços vazios, ocos de conteúdo de emoções, de expetativas. Summer Days’ Acrylic Painting Quando nada se espera pouco se alcança.

Refeições psicológicas

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Não são refeições etéreas, nem sem substância. Muito pelo contrário, para além de serem refeições preparadas pela psicóloga, têm ingredientes reais, temperos reais e são confecionadas com todo aparato psicológico do momento. Cada dia cozinha-se um tema diferente. Hoje foram lombinhos de salmão ao vapor, envolvidos num dia bem agitado de exames, com sopinha, acabada de fazer, de couve coração.     A sopa muito reconfortante inicia a refeição, que se degusta lentamente apreciando cada porção, cheia de sabor e nutrientes que nos permitirão alimentar o corpo e a alma. Diz-me como comes e dir-te-ei quem és. A frase é de Jean Anthelme Brillat-Savarin e foi publicada em dezembro de 1825, no livro Fisiologia do Gosto . Brillat-Savarin foi dos primeiros a classificar a Gastronomia como uma ciência e, na última década, tem sido enorme a influência das suas descobertas científicas na alteração do conceito de dieta perfeita e mais saudável. Proponho-me a juntar a Ciência Gastronómica à Ciência P...

Ser exímio

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Em algo... Muitos de nós não sabem bem em quê que podem ser exímios... Condutores, Atletas, Cozinheiros, Lover's, Pais, Avós, Contadores de Histórias, Amigos, Profissionais, Etc... David Karsenty POPEYE IS SO CULT Ser exímio, em algo, desenvolver uma arte, pode ser uma grande fonte de prazer e de realização pessoal. Contudo, poderá ser algo perverso, no sentido de se poder tornar um alimento do ego que transforma a arte em vaidade.  Ser exímio, em busca da perfeição e na esperança do elogio, não é saudável. Ser exímio, procurando priorizar o bem-estar dos outros, é pouco genuíno, pois acabamos por alimentar o nosso ego por "portas travessas", dando outras voltas. Ser exímio, sem interesse nenhum, parece paradoxal, ou se tem um interesse e se desenvolve uma arte ou então nasce-se com ela e essa arte sai das nosso ser tão naturalmente como a expiração. Não creio nesta segunda hipótese.  Ser exímio poderá ser fonte de prazer, sem complicações, se não pensarmos em ser exími...

Inquérito Apreciativo de David L. Cooperrider

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O Inquérito apreciativo, que pode derivar na entrevista apreciativa, ou até no diálogo apreciativo, é mais do que uma fórmula. É uma filosofia de vida, muito pouco usada e muito poderosa. Apreciar, elogiar, procurar o que nos faz sentir bem, recordar os melhores momentos da nossa vida, os momentos em que nos sentimos mais vivos é uma forma pouco usual de ser abordado por um médico, por exemplo. O inquérito apreciativo é um questionamento oposto ao costume, " como tem passado? " (questões neutras e de pouco impacto) ou " o que lhe doí? " " O que o faz sentir-se em baixo ou com stress, ou ansioso ?" (questões que procuram os aspetos negativos). O inquérito apreciativo espreita o outro lado. O lado esquecido e quase despercebido, que é afinal, o que que mais desejamos... o que nos faz sentir bem. wheatfield-with-crows-vincent-van-gogh   É como se tivéssemos dois caminhos para podermos conduzir a nossa forma de ser e estar na vida:  centrados no negativo, no q...

Herbert "Harry" Stack Sullivan

O fundador da escola de Psiquiatria interpessoal Tanto quanto conheço o ser humano, este revela tantas personalidades quantas relações interpessoais estabelece, sendo que as interações se desenvolvem muitas vezes com o que imaginamos das outras pessoas. Parece lunático? E é! Sullivan escreveu: The Interpersonal Theory of Psychiatry (1953) "The Psychiatric Interview" (1954) Conceptions of Modern Psychiatry (1947/1966) Schizophrenia as a Human Process (1962)   Depois da sua morte, Saul B. Newton e a sua esposa Dr. Jane Pearce criaram o Institute for Research in Psychoanalysis na cidade de  Nova York.

Em busca da felicidade (a esmeralda perdida)

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Quem perdeu a felicidade e anda à sua procura? Quanto mais procura menos encontra.   Quem procura no seu intimo uma explicação ou até uma saída para a depressão, remexendo os seus traumas, contando as suas amarguras, só irá encontra mais tristeza e gerar ainda mais depressão. Mas desengane-se quem acha que se fizer o contrário irá obter o resultado inverso. A felicidade não se encontra.   Surge. Surge quando menos esperamos, quando menos procuramos, quando menos fazemos esforço para a alcançar. Surge quando nos deixamos ir, quando nos libertamos, quando encolhemos os ombros e deixamos de nos questionar, avaliar, tentar compreender, aperfeiçoar. Mas atenção, não estou a dizer para fecharmos os olhos e meditarmos e ficarmos assim num estado contemplativo qual Buda! Só se for isso que nos apeteça. Se nunca nos apetecer, ou se isso só acontecer uma vez, muito de vez em quando, está tudo certo. Deixar-mo-nos ir. Deixarmos fluir, muitas coisas irão acontecer, muitas outras ficarão para outra...

Eu consigo

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Consigo (contigo) , eu consigo chegar mais além, realizar-me melhor, duplicar a alegria, fazer novas aprendizagens. Basta ter a mente aberta e o coração disponível para me deixar ir, suavemente, pela vida fora na tua companhia. Não preciso de fazer grandes feitos, nem de mudar o mundo, não preciso de deixar a minha marca, nem influenciar multidões. Apenas preciso de, humildemente, viver o que me é proporcionado e o que eu proporciono a mim e aos outros, numa dialética dançante. Passamos mais tempo a corresponder aos pedidos, às inevitabilidades, aos imprevistos, às obrigações interiorizadas por nós ou impostas pelos outros, do que a fazer " o que nos dá na real gana ".  Por isso, temos de exercitar o super poder de transformar o labor em lazer . Como disse o Marlon (um Personal Trainer do EliteFitness) "Eu vivo aqui!" referindo-se ao seu trabalho no ginásio. E sim, por muito pouco que gostemos ou queiramos, nós vivemos também nos locais de trabalho, e noutros locais...

Dia da Espiga

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O dia da espiga é também o " dia da hora " e considerado " o dia mais santo do ano ", um dia em que não se deve trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, " as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam ". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga, que é composto por cereais que significam alimento, o pão, malmequeres que significam fortuna, papoilas que significam amor, oliveira que significa paz, alecrim que significa saúde e videira que significa alegria. A tradição cumpriu-se, misturado o dia santo com o dia pagão, a chuva com o sol, a dedicação a atividades, que não se podem chamar trabalho, pois são aquilo que eu gosto de fazer, atividades que não escolheria fazer e atividades de lazer. O ramo está em casa e irá para detrás da porta. Lá ficará durante um ano, bem visível, como um símbolo que não me irá deixar esquecer de ag...

Cheguei a um novo ponto de partida

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Como os peregrinos que chegam ao local da peregrinação, como os sofredores que chegam ao alívio das suas dores, físicas ou psicológicas (e sim pode estar relacionado com a vitória do Sporting no campeonato nacional), como quem descobre um mistério que afinal era uma evidência mesmo à frente dos seus olhos e/ou mesmo debaixo do seu nariz. Cheguei! Sinto que cheguei e estou pronta para partir, enquanto viver. Estou pronta para partir com a mochila mais leve. Com a mente mais leve. O que significa que o passado não me é tão pesado, o futuro não me preocupa tanto e o presente, já sei como me sinto bem a vivê-lo e por isso consigo tornar a minha vida mais leve (e consequentemente a vida dos que me rodeiam). Como escreveu Charlie Chaplin: Quando me amei de verdade, percebi que a minha angústia e o meu sofrimento emocional não são mais que sinais de que estou agindo contra as minhas próprias verdades. Hoje sei que isso é… A utenticidade . Miki De Goodaboom  - La Mancha Authentic Hoje redesc...

Não é dificil ser feliz, sobretudo na primavera

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Felicidade não é um conceito novo. Mas por via da psicologia positiva felicidade ainda é sexy. A felicidade ainda não está demasiado cheia de conceitos e significados. J. F. K. questionava - o que podes fazer pela tua felicidade? 50% da felicidade é geneticamente determinada, sabiam? A E I O U da Felicidade A utonomia - 2/3 da nossa vida é passada a fazer coisas que não escolheríamos fazer. Logo temos de criar condições para no que habitualmente descobrirmos os nossos objetivos pessoais. E nergia psíquica - o entusiasmo. É estar motivado para ação e saber aceitar desafios, sem aceitar demais e deixar uns em substituição de outros. Temos duas mãos, dois braços e não somos um polvo. I nter-independência - a felicidade individual pode ser paradoxal. A felicidade é tecida nas relações. Partido deste pressuposto devemos voltar a fazer o que no passado fazíamos, sem pensar, sem pretender alcançar a felicidade, que é: cuidar dos outros . Investir na felicidade individual não nos tem feito mai...

Ver o que está à frente dos nossos olhos

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É tão difícil como ver o que está debaixo do nosso nariz. Ter uma perspetiva nítida, do contexto e perceber a teia de significados e relações que são parte desse contexto, neste momento é a base da teoria sistémica. Saber quem sou para os outros neste momento. Quando estabeleço um diálogo com os outros. Uso frases que emitem informação, umas mais claras do que outras. Frases que emitem comandos e são pontuadas com o significado que eu atribuo ao meio que me rodeia. Expandir o meu significado incluindo os significados dos que me rodeiam torna o meu significado mais claro e percetível. https://es.slideshare.net/Karen-Michelle/modelo-familiar-sistemico Karen, falta aqui o Professor Pina Prata e o professor Luís Miguel Neto de Portugal. E a Virginia Satir em Palo Alto. Peter Lang no Reino Unido, Tom Anderson em Oslo e muito provavelmente eatarei a deixar no anonimato muitos outros. Ouvir atentamente e usar o estilo de comunicação do emissor para reenquadrar o que está a ser dito por forma ...

Conjoint Family Therapy

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Em 1959, Donald Jackson usou pela primeira vez o termo “conjoint family therapy”. 1964 - com 48 anos Virginia Satir publica o seu primeiro livro Conjoint Family Therapy. 1970 - Virginia Satir, depois de ter viajado por todo o mundo a difundir as suas crenças no poder das famílias, deu inicio a uma rede de apoio que inicialmente chamou "Beautiful People", e que mais tarde ficou conhecida como o "International Human Learning Resources Network". A ideia de Virginia era reunir colegas de todo o mundo interessados em explorar as teorias e as ciências humanas. Este rede seria uma comunidade onde os peritos poderiam partilhar as suas experiências, aprender uns com os outros. O que ainda se mantém nos dia de hoje, meio século depois de ter sido fundado.  https://www.ihlrn.org/ Uma das frases célebres  de Virginia Sati que poderá sintetizar os seus ideais é a seguinte: " Peace Within, Peace Between, Peace Among" Refere-se à família e significa em português Paz conn...

Reconstrução Familiar - continuação

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1932 Virginia Satir recebe o seu diploma de graduação da  Escola de Serviço Social, Política e Prática da Família de Crown, é a escola de serviço social da Universidade de Chicago, e logo começou a trabalhar numa clínica privada. 1951 Com 35 anos Satir reuniu com sua primeira família. 1955 com 39 anos começou a trabalhar no Instituto Psiquiátrico de Illinois, incentivando outros terapeutas a se concentrarem nas famílias, em vez de pacientes individuais. No final da década de 50, Satir mudou-se para a Califórnia, onde foi co-fundadora do Mental Research Institute (MRI), em Palo Alto . O MRI recebeu uma concessão do National Institute of Mental Health em 1962, permitindo-lhes iniciar o primeiro programa formal de formação em terapia de familiar. Ainda hoje este Instituto existe e mantém os seus príncipios: Stronger, Together ( https://mri.org/ ) "No man is an island. No woman exists independent of her family, culture, friends, and living conditions. No child is free from emotio...

Viver o Amor

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Ame de forma consciente e viva sem medo as suas relações... é uma obra de Osho, um conhecido autor que nasceu na Índia em 1931, aluno sobredotado tornou-se professor de filosofia na Universidade de Jabalpur, ensinou e realizou palestras em todo o mundo. Faleceu em 1990. É autor de mais de 600 livros, considerado pelos amigos e colegas como uma ajuda precisa para todos aqueles que desejam conhecer o potencial humano. Este livro é um manual, que se Osho pudesse daria a ler aos seus compatriotas, de bom grado, para lhes explicar o que é o seu entendimento sobre o amor. Mas Osho conhece o poder da tradição e as barreiras da pouca educação do seu povo e escreve eruditamente para os povos ocidentais, escreve para homens, mas sobretudo para mulheres. Explica construtos e define-os à luz do seu entendimento do que é ou deve ser o AMOR. O livro é um manual de conselhos para relacionamentos. O autor refere que o amor é a arte de não fazer nada. "Existem coisas a que simplesmente acontecem p...

A volta ao medo em 80 dias

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de José Jorge Letria. O romance conta a vida de Gustavo Resende, nascido por volta de 1959, que no tempo da guerra ultramarina, que durou 13 anos, ainda era macebo e por isso estava fora do perigo de ter de se alistar na tropa e ir para a guerra. Mas a idade aproximava-se e a possibilidade de ele ter de ir era iminente, não fosse a revolução do 25 de abril de 1974, provavelmente teria morrido, sem dignidade, numa trincheira qualquer. O medo tolheu, durante toda a vida os movimentos deste homem, que por medo deixou de fazer o que amava e deixou de amar o que fazia. Apenas vivia, um dia atrás do outro, sem grandes ambições. Os seus gostos resumiam-se ao que comia, bebia e fumava. Até que um enfarte do miocárdio o ameaça de lhe tirar a vida, que ele já não tinha... desperta-o para a possibilidade de ainda viver, sem medo.  Encontra uma Margarida na sua vida, flor, colega, professora e poetisa que escreveu o poema com o nome da obra, o qual transcrevo aqui: "Cheguei com atraso à poesi...

Caixinha do tempo

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Dizem que o tempo não existe. É apenas uma invenção do homem. Somos nós que criamos calendários e relógios, para medir o tempo que já passou e sabermos que estamos atrasados para o que há-de vir. Inventamos o tempo para nos preocuparmos, para nos balizarmos, para nos regularmos e depois, depois tentamos viver como se o tempo não existisse para não enlouquecermos e não nos tornarmos em meros executores de tarefas em determinado tempo, prisioneiros da nossa armadilha. Depois de estarmos envolvidos em relógios e calendários e outros seres humanos cheios de relógios e calendários, queremos libertar-nos do tempo e viver livres de escalas e horários. Saber apreciar a vida, sem tempo, vivendo apenas no presente. Ridículo, este desejo, depois de ter desejado viver a nossa vida num calendário. Em que dia nasceste? Quantos anos já viveste? Não, essa é a tua idade, viver, mesmo, sentires-te vivo... quantos anos? ...Dias? E isso interessa? Pouco. Rendida aos relógios, aos calendários e às agendas,...

Mãe de adolescente

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Ser mãe de adolescentes é estar sempre na eminência de um descontrolo emocional. Ser adolescente é isto.. é contestar, desobedecer, contornar, gozar, explorar os limites, ir até onde a plasticidade mental da mãe consegue ir sem perder o controlo das emoções. Na adolescência estes momentos, de paz interior da mãe, são raros, muitas vezes conquistados pela ausência de relacionamento. Se a mãe se deixar envolver pelo seu mundo, sem querer incluir nele o seu filho adolescente, ficará em paz. Mas assim que a mãe imaginar chamar o seu filho para o seu mundo, para um passeio em família ou para as rotinas do quotidiano, então o confronto irá começar.  A mãe começa devagarinho, com doçura, a chamar o seu filho. Dirige-se ao seu quarto, certifica-se que este está a ouvir, faz um carinho, que é contestado, ouve um hum , hum , que lhe parece um está bem , vou já fazer o que me dizes e depois passam-se largos minutos sem que nada aconteça. A mãe, já cansada de esperar, de fazer sozinha, de se cons...