Mãe de adolescente
Ser mãe de adolescentes é estar sempre na eminência de um descontrolo emocional.
Ser adolescente é isto.. é contestar, desobedecer, contornar, gozar, explorar os limites, ir até onde a plasticidade mental da mãe consegue ir sem perder o controlo das emoções.
Na adolescência estes momentos, de paz interior da mãe, são raros, muitas vezes conquistados pela ausência de relacionamento. Se a mãe se deixar envolver pelo seu mundo, sem querer incluir nele o seu filho adolescente, ficará em paz. Mas assim que a mãe imaginar chamar o seu filho para o seu mundo, para um passeio em família ou para as rotinas do quotidiano, então o confronto irá começar.
A mãe começa devagarinho, com doçura, a chamar o seu filho. Dirige-se ao seu quarto, certifica-se que este está a ouvir, faz um carinho, que é contestado, ouve um hum, hum, que lhe parece um está bem, vou já fazer o que me dizes e depois passam-se largos minutos sem que nada aconteça.
A mãe, já cansada de esperar, de fazer sozinha, de se consumir interiormente a pensar que não se pode descontrolar e cada vez mais à beira desse descontrolo, lança um berro!
E já está! O descontrolo aconteceu.
O berro não é ouvido, porque os phones, nas orelhas do filho, isolam bem estes sons do exterior.
A mãe ainda respira fundo, mas irá ter de se dirigir novamente ao quarto do filho, limpar as mãos molhadas, deixar o tacho no lume, e voltar, mas para gritar uma ou duas frases que farão doer tanto como uma palmada, mas ironicamente, esta palmada acerta em cheio no coração da mãe.
A mãe fica triste, exausta, impotente e consciente de que esta não é a melhor forma de lidar com o seu filho adolescente, que o está a afastar, a perder e a cavar ainda mais fundo o fosso entre eles.
Fazer tudo errado é tão mais fácil do que fazer o que é mais certo. Porquê? Talvez porque tenha sido assim que aprendemos a ser filhos... também fizeram tudo errado connosco... e resultou? E serve de desculpa?
Não é esta mãe que quero ser, mas é esta mãe que consigo ser.
Só me apetece zangar-me comigo e com o mundo, aparecer zangada, irada, aos berros, de cabelos em pé e olhos a faiscar, a suplicar com todas as forças de uma fúria violenta.. por favor ama-me como eu te amo a ti filho!
Onde estás tu que saíste do meu ventre. Onde estás filho que saíste do meu colo? Onde está filho por favor não te afastes mais, não saias do meu coração... abraça-me!

Mãe e Filha
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