Caixinha do tempo

Dizem que o tempo não existe.


É apenas uma invenção do homem. Somos nós que criamos calendários e relógios, para medir o tempo que já passou e sabermos que estamos atrasados para o que há-de vir. Inventamos o tempo para nos preocuparmos, para nos balizarmos, para nos regularmos e depois, depois tentamos viver como se o tempo não existisse para não enlouquecermos e não nos tornarmos em meros executores de tarefas em determinado tempo, prisioneiros da nossa armadilha. Depois de estarmos envolvidos em relógios e calendários e outros seres humanos cheios de relógios e calendários, queremos libertar-nos do tempo e viver livres de escalas e horários. Saber apreciar a vida, sem tempo, vivendo apenas no presente.


Ridículo, este desejo, depois de ter desejado viver a nossa vida num calendário.


Em que dia nasceste?


Quantos anos já viveste?


Não, essa é a tua idade, viver, mesmo, sentires-te vivo... quantos anos? ...Dias?


E isso interessa?


Pouco.


Rendida aos relógios, aos calendários e às agendas, sem que me consiga desfazer deles, associo-me aos mesmos de forma a que não sejam tão escravizadores, tão apertados, ajusto o tempo.


No meio do tempo que meço terei também tempo para viver como se o tempo não existisse, de forma plena e imersiva. 


Será só uma questão de organização.


E, por isso criei a caixinha do tempo.


Uma simples caixa com papelinhos aleatórios, cada um com uma tarefa ou grupo de tarefas que devem/ escolho/podem ocupar a minha vida. 


Depois conto as horas de vigília - 16 horas - e chego à conclusão de que, para fazer bem feita determinada coisa envolvida, e imersa com todos os meus sentidos, preciso pelo menos de uma hora. Uma hora, sessenta minutos. Assim sendo, num dia apenas conseguirei fazer 16 coisas. Se demorar duas horas com uma coisa, então num dia apenas conseguirei fazer 8 coisas.


E isto dá-me a noção clara que não posso fazer muito num dia e para, pelo menos conseguir fazer 8 coisas, é importante que me sinta livre e despreocupada enquanto as faço, com a ideia clara que toda a minha vida conflui para aquele momento.


Como Charlie Chaplin escreveu, num dos seus poemas:


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância eu estava no lugar correto e no momento preciso. E então, consegui relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.


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Somos o que somos, no momento em que estamos, e para o momento presente confluem tantos fatores, que, por respeito próprio, e a tudo o que já passamos e vivemos devemos a dignidade de vivermos o momento presente com respeito por toda a nossa história passada e chamando a esse momento as aprendizagens adquiridas, Viver da melhor maneira possível, construir a vida presente da forma que nos sentimos bem. 

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