Inquérito Apreciativo de David L. Cooperrider

O Inquérito apreciativo, que pode derivar na entrevista apreciativa, ou até no diálogo apreciativo, é mais do que uma fórmula. É uma filosofia de vida, muito pouco usada e muito poderosa.


Apreciar, elogiar, procurar o que nos faz sentir bem, recordar os melhores momentos da nossa vida, os momentos em que nos sentimos mais vivos é uma forma pouco usual de ser abordado por um médico, por exemplo.


O inquérito apreciativo é um questionamento oposto ao costume, "como tem passado?" (questões neutras e de pouco impacto) ou "o que lhe doí?" "O que o faz sentir-se em baixo ou com stress, ou ansioso?" (questões que procuram os aspetos negativos).


O inquérito apreciativo espreita o outro lado. O lado esquecido e quase despercebido, que é afinal, o que que mais desejamos... o que nos faz sentir bem.


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É como se tivéssemos dois caminhos para podermos conduzir a nossa forma de ser e estar na vida: 



  • centrados no negativo, no que está mal, no que ainda não é suficientemente bom ou que ainda não chega; ou

  • centrados no que está bem, no que já é bom, do que já chega, no que já nos faz bem, sentri que a vida é leve e merece a pena ser vivida.


De um modo geral escolhemos mais facilmente o caminho negativo do que o positivo, se calhar porque foi assim que nos ensinaram:



  • nem sempre o caminho mais curto, mais agradável, mais a direito é o melhor;

  • Que nos devemos esforçar, que quanto mais dura for a viagem maior será a recompensa... e outras tantas ideias feitas que pautam a música da nossa vida, de uma forma tão forte e vincada que nem acreditamos quando a estrada é suave e o caminho é fácil.


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Romper com estes conceitos de dor, sofrimento, dificuldade, insatisfação, que são constantemente reforçados com a ideia que nos poderão levar à recompensa e à vitória é um desafio.


Estes conceitos são a filosofia de vida de grande parte da população, uma filosofia que passa de geração em geração, sob a premissa de que a "vida não são só facilidades" e "todas as rosas têm espinhos".


E assim, de pais para filhos vamos perpetuando, uma sede e uma fome, física e emocional de eterna insatisfação.


Nos primeiros anos de vida este entranhamento, contrabalançado com alguns/diversos momentos de rutura com este modo de pensar e viver, permitem-nos ir andando e viver os tais momentos em que nos sentimos vivos, com uma frequência um pouco maior do que os vivemos quando chegamos a uma idade mais avançada, uma idade em que começam a escassear esses momentos, por escolha nossa. Porque escolhemos confinar a nossa vida a algo que não nos satisfaz, não nos faz felizes e não nos faz sentir vivos.


Sem nos questionarmos sobre o que nos faz bem, não iremos conseguir tomar decisões no sentido desse bem, de promover e capitalizar esse bem.


Se estivermos sempre à procura da causa da dor, muito provavelmente iremos encontrar ainda mais dores. Mas, pelo contrário, se procurarmos a causa da felicidade, muito provavelmente potenciaremos o encontro com momentos felizes.


Tenhamos a coragem de olhar para o outro lado da vida e de nos questionarmos apreciativamente.

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