É como andar de bicicleta, nunca se esquece!

Agradeço do fundo do coração a quem teve a paciência de me ensinar a andar de bicicleta (Aldina e Albertina Estevão). Na minha aprendizagem foram usadas todas as técnicas. Primeiro, a explicação, depois a demonstração, a transmissão de confiança com palavras de incentivo, várias tentativas falhadas até ao cansaço, o apoio imenso e as corridas atrás da bicicleta a segurar no banco e que terminavam numa salva de palmas e no grito: "Estás a andar sozinha!". Quando ouvia as palmas e a frase era sinal que estava sem apoio e por isso colocava logo os pés no chão, sem sequer usar os travões, para desespero das minhas professoras. Até que decidiram usar um método mais radical mas também mais eficaz. Arranjaram um pau forte e ameaçavam-me com ele: "-Se pararares levas com o pau." Nunca me bateram, não foi preciso. E eu comecei a andar sozinha de bicicleta e nunca mais parei.


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A minha primeira bicicleta (parecida com a da imagem) era a bicicleta do meu avô Joaquim Ferreira. Uma pasteleira vermelha com configuração de senhora, robusta, com lâmpada à frente, que funcionava com a energia da pedalada, e um banco/suporte atrás que servia para dar boleia às amigas e trazer algumas compras que a minha avó (Lucinda das Neves) solicitava. A minha avó também contribuíu, em muito, para a consolidação da minha aprendizagem, uma vez que me mandava à loja quase de hora a hora, conforme se ia lembrando do que precisava em casa. Agora é uma barra de sabão, depois um pacote de açúcar. Cada item, cada viagem e, em cada viagem melhorava o equilíbrio e aumentava o domínio da bicicleta. Cheguei a andar de bicicleta sem mãos, também cheguei a cair para a valeta, felizmente sem grandes ferimentos.


Ainda hoje sinto o prazer de andar de bicicleta, a liberdade de ter a estrada debaixo dos pedais, e de sentir os caminhos consoante a geografia do terreno, com mais esforço ou menos esforço, assim como sentir o clima e tudo o que lhe pertence, a humidade, o vento, o calor. Os cheiros e os sons também oferecem um colorido muito especial ao passeio de bicicleta.


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Nunca se esquecem os passeios, as pessoas e as aprendizagens, sobretudo as que se constroem com defeitos, imperfeições que a natureza humana procura corrigir. É assim que somos, fazemos, olhamos, melhoramos e repetimos a sequência, até ao fim da nossa vida, como quem aprende a andar de bicicleta e nunca mais esquece.


 


 


 

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