Sinais de passagem

Refiro-me aos rituais relacionados com a passagem da infância para a idade adulta. Refiro-me a todos os rituais associados a esta etapa da vida, em que damos um salto quântico, com consequências interiores e exteriores astronómicas. A etapa em que somos mais vulneráveis, expostos e parodaxalmente nos sentimos mais poderosos e invencíveis.


Catarina Furtado escreveu um livro sobre este tema, ao qual já fiz referência "adolescer é fácil #só que não". Escrito de forma descomplicada, como se fosse uma conversa, "pouco chata" entre ela e um adolescente, um leitor adolescente, #só que não! Os adolescentes, nem com um livro acessível, apelativo e com temas que lhes dizem diretamente respeito, se entusiasmam pela leitura de 220 páginas. A comunicação entre adultos e adolescentes é muito complicada. As mensagens custam a passar, as mesmas frases repetem-se até à exaustão e quando chegam, são muitas vezes distorcidas por um sistema emocional em verdadeira erupção.


Catarina, lamento informar, mas nem o Hashtag te valeu! Salvo, se contarmos o gosto que ofereces aos adultos que te lêem, de recordar a sua adolescência e atualizarem conteúdos, para depois fazerem o papel de #chatos e tentarem transmitir alguns avisos, informações, esclarecimentos aos seus adolescentes.


Chegar aos adolescentes com a mensagem certa e de forma adequada foi, é e será uma mútua aventura, uma dança de aproximação e afastamento, construida de sorrisos e lágrimas. Para chegarmos aos adolescentes teremos de entrar com eles na montanha russa, sentir com eles o frio na barriga da descida e o coração a saltar do peito no looping.


Chegar aos adolescentes é muito mais do que a expressão verbal (oral ou escrita), é muito mais do que a partilha de imagens e vídeos, é tudo isto, mas principlamente a partilha de experiências. É na ação e na reflexão sobre a ação, que se manifestam os valores, as crenças e os rituais que resultam e nos fazem sentir como partes importantes de uma família, de uma turma, de uma comunidade, de um país, do planeta Terra.


Experienciar também é ler um livro, também é ver um vídeo, mas é sobretudo ir, interagir, fazer, construir, usar todo o corpo e todos os sentidos para aprender e evoluir.



Aqui está um exemplo de uma mensagem mais apelativa para os adolescentes. E já agora pais - sabem o que é ter uma crush?


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Também quero deixar aqui uma sintese muito sintética do livro, para que fique registada a sua leitura e permita a melhor recordação dos seus conteúdos.


Atualização de conceitos:


# O cardinal -  permite que todas as publicações em redes sociais que usem este mesmo sinal, que agora se chama hashtag, possam ser facilmente encontradas. #sóquenão.


@ A arroba -  para usar uma linguagem mais inclusiva, sem distinguir o sexo masculino do sexo feminino é cool usar o “@”  at. O at usado no endereço eletrónico é agora usado em alguns textos, como neste livro: "E ser um bom amig@ é mesmo um talento que se aprende e que se pratica". Não é inclusivo (dificil de ler para disléxicos e impossível para cegos) e tem muitas lacunas, quem lê (com a sua subjetividade de leitura) e o contexto da frase, induz a letra que se irá colocar no lugar de @ (o "o" ou o "a"), pois o @ não tem som, nem representação mental de como se poderá ler (pensamos amigue? ou rapidamente pensamos amigo ou amiga?).


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Experiênciem! Acertem e errem, riam e chorem, gritem e sussurrem, juntos!


 


 

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