Sopas e descanso.

Hoje comemora-se o dia mundial da alimentação e também o dia mundial do pão, aqui estão dois bons motivos para colocarmos mãos na massa e criarmos dois alimentos tão básicos, tão essenciais e tão saborosos. Depois, apreciaremos, oferecendo a nós próprios e aos outros o fruto dos nosso trabalho e alcançarmos a devida recompensa.


Fui educada desta forma, e é algo que me pauta em quase tudo o que faço. Primeiro o esforço, depois o reforço. Este equilibrio deve ser generoso para que o entusiasmos com um novo momento de esforço aconteça com frequência e com alegria. A alegria de que irá valer a pena e que iremos obter a nossa recompensa.


A sopa, esse super alimento da nossa gastronomia, reúne o sabor, os nutrientes e a água. A sopa sempre me atraíu imenso. Como sopa todos os dias, duas módicas conchinhas, antes do prato principal. A sopa aconchega, prepara o estômago para receber os alimentos e sacia.


Continuo a querer fazer sopas de A a Z, de acordo com as estações do ano, com ingredientes inusitados, sopas de outros países, sopas para todos os gostos e alguns desgostos.


Mas claro que a melhor sopa do (meu) mundo é a da minha mãe. Por mais sopas que faça, o sabor que sinto quando é a mãe a fazer a sopa é único. Adoro a sopa de feijão zarolho com couve ripada e umas linhas de esparguete a embelezarem o resultado final.


O hábito de fazer e comer sopa é sinónimo de uma família que cuida, que ama, que nutre. Onde há sopa e pão ninguém discute e todos têm a sua razão!


Deixo aqui a receita de uma sopinha "A sopa da Ana" (para um setembro de verão). Que pode ser feita em qualquer altura, mas de preferência no tempo da abóbora e das beldroegas.


"Uma cebola dos Enxames; uma abóbora pequenina da horta do Sr. Tomás (oferecida no aniversário e que custa muito, muito a partir); cenouras (da feira!!); um chuchu do Entroncamento; sal aromatizado de alho e hortelã (que a Céu comprou na mercearia a Praceta) q.b.; azeite do lagar q.b.; águas; beldroegas e manjericão do Entroncamento.


Numa panela grande pôr a abóbora, a cebola e o chuchu em pedaços grandes, as cenouras inteiras (se forem pequeninas) o sal e regar com um fio de azeite. Pôr a tampa e o lume no mínimo, deixar estar até os legumes cheirarem muito bem e ficarem moles o suficiente para se esmagarem com a colher de pau. Juntar água quente até um pouco mais do que cobrir os legumes molinhos, aproveitar o vapor para as beldroegas em folhinhas arranjadas, cozerem. Deixar cozinhar. Retirar algumas folhinhas de beldroega e passar com a varinha mágica (tinha de usar a varinha mágica, sopa sem um pouco de magia não é a mesma coisa). Provar e ver se precisa de sal, azeite ou mais água, acrescentar beldroegas no creme e polvilhar com folhinhas de manjericão cortadas aos pedacinhos. Comer com um sorriso e lamber a colher no final!


A criatividade ao serviço da receita e o amor com que se faz uma sopa são os ingredientes secretos que transformam qualquer alimento no prazer de nos alimentarmos.


Boas experiências, bom descanso!


 

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