Tempo para não fazer nada
Quando decidimos parar um pouco, quando decidimos deixar de nos focar no que há para fazer e simplesmente procuramos o silêncio, fechamos os olhos e pensamos, em nada, ou pensamos que, agora não quero fazer nada, oferecemos à nossa mente um tempo contemplativo, de restabelecimento neuronal que ela muito agradece. Pela nossa saúde, façamos pequenas pausas ao longo do dia e pausas maiores num dos dias da semana que será o dia de descanso, ou da preguiça, como hoje.
No dia da preguiça, lentamente, fui fazendo o que me apetecia e apeteceu-me fazer pão. Desta vez foi pão de castanha e espelta.
Adoro experimentar novos sabores, ser criativa, mas, tendo por base uma receita infalível, que permite que toda a criatividade resulte.
A receita base deste pão é a seguinte: numa mistura morna de 200ml de água, 125ml de leite e 10ml de azeite, desfaço, lentamente o fermento de padeiro que se funde com toda esta mistura, de seguida acrescento 500g de substrato e uma pitada de sal, de seguida amasso tudo, usando a força dos braços ou a força de uma máquina. O substrato, desta vez foi composto por 200g de castanhas cozidas e 300g de farinha espelta integral. É no substrato que vou variando, por vezes uso batata-doce assada e espelta, espelta e farinha de milho, espelta e grão, tremoço, amendoim, trigo sarraceno, arroz, kamut, quinoa, beterraba, alfarroba, cenoura, centeio, trigo, etc.. ou seja todos os cereais, algumas leguminosas e alguns vegetais poderão criar pães de consistências e sabores diferentes. Depois ainda poderemos acrescentar sementes de abóbora, girassol, papoila, nozes, amêndoas, azeitonas, haja imaginação e poderemos juntar as nossas combinações preferidas num pão. O pão nosso!
Numa outra das pausas que fiz fiquei a pensar nos cogumelos pleurotos que estavam no frigorífico a pedirem para serem confecionados. Atendi ao seu pedido e resolvi fazer outra das minhas receitas que tem uma base infalível e me permite diversificar o recheio.
A base é feita da seguinte forma: a 300g de farinha junto 100ml de água, um pouco de azeite, um pouco de sal e um ovo. Estas quantidades medidas de forma, o mais exata possível permitem a criação de uma massa que poderá ser facilmente esticada com um rolo e forrar a tarteira. Esta massa base poderá ser alterada com o tipo de farinha que se escolhe, com os condimentos que quisermos. Enquanto a massa repousa embrulhada em película no frigorífico, prepara-se o recheio. O recheio é feito dando o protagonismo a um ingrediente, que dará o nome à tarte, pode ser atum, salmão, cogumelos, carne picada, camarão, o que mais gostarmos. A este ingrediente iremos acrescentar num refogado os legumes que melhor se adequem, tais como espinafres, alho francês, cebola, pimento, batata. A mistura, ligeiramente refogada é colocada na tarteira já forrada e por cima uma mistura de dois ovos batidos com um pouco de kefir, que cá em casa substitui as natas. Pode ainda ser polvilhada com salsa, coentros, azeitonas, tomate, orégãos, pimenta ou outro qualquer condimento que servirá de topping. Vai ao forno por 20 a 25 minutos a 180Cº.
Fica sempre bem, rende e permite uma refeição rápida quando não há mais nada e o tempo foi dedicado a outras causas, que não estas, à roda dos alimentos.
Não fazer nada. Parar por uns momentos. É assim o início de uma ação, que se deseja pensada, concertada e que nos traga alguma satisfação pessoal. Cozinhar, regra geral tráz-nos essa satisfação, contudo, gosto de realizar as minhas virtudes e os meus defeitos noutras atividades, para além destas um pouco efémeras.
Onde me levará o tempo de preguiça?
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