Envelhecer é

colecionar recordações e rezar para que a demência não nos leve as recordações todas como o vento leva as folhas das árvores quando começa o outono...


De facto, se o ser humano reproduzir em si o ciclo da natureza, o mais certo é que, ao chegar ao outono da sua vida, isso venha a acontecer, ver as suas recordações a desaparecerem até ficar completamente despido delas e sem hipótese de renascimento na primavera...


À medida que a idade avança, quando chega a primavera são cada vez menos as folhas e flores que brotam da árvore velha e cansada, de vezes sem conta, ter repetido este ciclo ao longo da sua vida. Ainda assim, se bem nutrida, cuidada, as árvores duram muitos anos e conseguem recuperar.


Por vezes é necessária uma boa poda, para as fortalecer.


Saber quando e o que cortar é ciência. Ciência daquela que nem todos os agricultores ou jardineiros dominam, daquela que nem todos os médicos, amigos e psicólogos dominam.


Estamos no inverno, as recordações estão armazenadas na memória do nosso telemóvel, na agenda que chega ao fim, no blog que se escreve como se fosse um diário, depósito, cofre de memórias.


A época da poda aproxima-se. É importante passar pela dor da perda, do corte. Quanto mais conseguirmos deitar fora, aparar, melhor e mais forte será o renascimento. Renascimento que já se avista nas folhas do calendário.


Oitenta e cinco dias que voam, correm, passam num abrir e fechar de olhos. Não tarde será primavera, (e natal outra vez).


Sem pressa, porque a pressa já existe na rapidez com que passa o tempo. Sem pressa interior, avancemos momento a momento, atentos a tudo o que nos rodeia, registando cada conquista, cada surpresa, cada sorriso, como o mais importante da nossa vida.


 

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