Era uma vez...
... um vírus.
Um "veneno" ou "toxina" pequeníssimo agente infecioso, com cerca de 20-300 nm de diâmetro. Tão pequeno que para poder ser observado pelos homens estes tinham de recorrer ao microscópio eletrónico, uma simples lupa ou um microscópio ótico não eram suficientes.
Este vírus era apenas um organismo incompleto, composto por um genoma constituído por uma ou várias moléculas de ácido nucleico (DNA ou RNA), moléculas essas que possuem a forma de fita simples ou dupla, local onde guardam a sua informação genética.
O vírus não era sequer considerado um organismo, pois faltam-lhe elementos fundamentais para produzir energia, reproduzir-se e sobreviver, por isso sem a "ajuda de um organismo vivo e completo" o vírus não sobreviveria.
O vírus estava assim condenado a ser um parasita. A entrar pelas nossas portas de comunicação com o exterior e a instalar-se no interior das nossas células. É apenas a partir das células hospedeiras, que o vírus obtém os aminoácidos, os nucleotídos e a maquinaria de síntese das proteínas (ribossomas) e ainda energia metabólica (ATP). Só assim o vírus se consegue multiplicar e viajar para outros hospedeiros.
Fora do ambiente intracelular, os vírus são inertes, ficam muito quietinhos, aguardando a sua oportunidade. Normalmente os vírus não resistem muito tempo inertes em ambiente hostil e o ambiente é hostil se for limpo e desinfetado, arejado e limpo (a limpeza nunca é demais).
Contudo, uma vez dentro da célula hospedeira, a capacidade de replicação do vírus é surpreendente. Um único vírus é capaz de se multiplicar, em poucas horas, criando milhares de novos vírus.
Os vírus são capazes de infetar seres vivos de todos os domínios e espécies. Por isso mesmo, os vírus representam a maior diversidade biológica do planeta, sendo mais diversos que bactérias, plantas, fungos e todos os animais juntos, uma vez que na relação de parasitação adquirem parte da diversidade genética do seu hospedeiro, que pode ser qualquer organismo vivo.
Este vírus é muito eficaz a multiplicar-se e a disseminar-se. Os seres humanos não tem defesas e expõe as suas portas de entrada com muita facilidade, convidando o vírus a entrar.
Conhecendo a forma como atua, o ser humano apenas teria de cessar os seus contactos com outros seres humanos, até conseguir controlar a disseminação do vírus (pessoa a pessoa) e arranjar armas para lutar eficazmente contra o mesmo.
Mas o ser humano é um animal social e entre a ameaça de uma doença e a ameaça do isolamento, opta pela doença.
Neste momento, em que o vírus está a ganhar este campeonato, a equipa dos seres humanos deveria reunir esforços mantendo-se separada, sem exceções, pois separados, isolados, somos mais fortes. Juntos apenas no motivo e no objetivo, que será ganhar a batalha a este parasita.
Quando os médicos adiam cirurgias, para receberem doentes infetados, porque não havemos nós de adiar aulas, encontros, passeios, viagens, coisas que podem esperar... ou serem realizadas de outra maneira.
O egoísmo colocado sobre a forma dissimulada de ajuda ao próximo impede-nos de ganhar esta batalha. Neste momento o muito, ou o pouco que nos cumpre fazer é apenas e tão somente ficarmos em isolamento e aguardar.
Sem que ninguém nos peça, ou nos obrigue, devemos ser nós a auto isolarmos-nos e a perceber, claramente que é assim que estamos a contribuir da melhor forma possível para o retorno à normalidade e para a vitória desta batalha.
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