Ultrapassar os rumores

A nossa mente está programada para constantemente fazer deduções. A mente elabora a partir dos pormenores, julgando-os, encaixando-os na experiência passada, antecipando como serão no futuro e e conferindo-lhes significado.


Por causa deste modo de funcionamento incontornável, cada um de nós constrói os seus pensamentos, à sua medida, e o resultado, é uma diferença estrondosa de perceções do mundo. Não vemos a "realidade" como ela é, não vemos o mundo como ele é mas sim como nós somos.


Consciente e inconscientemente estamos constantemente a fazer suposições.


A forma como interpretamos o mundo faz uma enorme diferença na forma como reagimos. E partindo da ideia inicial que, o que vemos e sentimos é grande parte criação nossa, teremos nós o poder de criar uma realidade mais agradável, mais saudável, uma realidade em que nos sentimos melhor, mais realizados?


Claro que sim! 


Como?


Os nossos pensamentos são apenas rumores, aos quais nós podemos dar importância, ou não, incrementar ou diluir, cristalizar ou modificar, ou simplesmente deixar ir, libertar!


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É este o nosso poder, está na nossa mente e ao nosso alcance!


Já pensaram que os pesadelos que nos aterrorizam numa noite péssima são criações da nossa mente? Porque criamos nós pensamentos para nos assustarmos a nós próprios? Não quereremos para nós o nosso bem? Se não o queremos para nós, como o poderemos dar aos outros?


Tentar calar os pensamentos, ignora-los, ou desconstrui-los tem um efeito perverso - dá-lhes atenção, foco, protagonismo e isso necessariamente faz com que cresçam e ganhem força (parecem o André Ventura).


Assim, a forma mais adequada de reverter a situação é a simples contemplação dos pensamentos.


Quando nos sentimos acelerados, inquietos, estes são os pensamentos que mais nos visitam:


Não consigo divertir-me sem pensar naquilo que tem de ser feito.


Nunca posso falhar.


Porque é que não consigo relaxar?


Nunca devo desiludir as pessoas.


A decisão é minha.


Tenho de ser forte.


Toda a gente confia em mim.


Sou o único que pode fazer isto.


Não aguento mais isto.


Não posso perder um minuto.


Gostava de estar noutro lado.


Porque é que eles não fazem simplesmente as coisas ?


Porque é que já não estou a gostar disto?


O que é que se passa comigo?


Não posso desistir.


Algo tem de mudar.


Deve haver qualquer coisa de errado em mim.


Tudo virá por água abaixo sem mim.


Porque é que não consigo desligar?


(lista retirada de um questionário compilado por Hugh Poulton, professor de meditação na Universidade de Oxford).


Apesar de nos momentos em que estamos envoltos por este tipo de pensamentos, estes parecerem a verdade absoluta, não o são!


São apenas sintomas de stress, como a tosse, a febre e a dor de garganta são sintomas de Covid!


Perante a pressão destes pensamentos, o que mais desejamos é sair daqui, ficar bons, encontrar a cura! E por isso surgem outros pensamentos tais como:


Quem me dera desaparecer!


Reduzir a importância destes pensamentos à categoria de sintomas de stress, retira-lhes a força.


Devemos apenas deixa-los ir... 


 


 

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