Casamentos e nascimentos

Estes primeiros dias de Fevereiro são propícios a casamentos, pelo menos na minha tradição familiar. Os meus avós maternos, os meus pais e o meu irmão casaram por estes dias. Dias estes que se juntam à festa do Carnaval. E sim, pode ter sido por motivos religiosos, pois logo a seguir ao Carnaval chega a quarta feira de cinzas e o tempo da quaresma. Este tempo de quaresma, é um tempo de recolhimento, de observação, de reflexão e de perdão. É um tempo que se quer para purificação do corpo e da alma, e é nesse sentido que na quaresma se promove a renúncia a tudo o que seja poluente, corrosivo, destrutivo.


A quaresma que se iniciou o ano passado ainda não terminou, não chegou a Páscoa, nem o Natal, nem o Ano Novo, toda a nossa vida continua suspensa, interrompida, aguardando. Atualmente vivemos uma prolongada quaresma, designada com outras palavras, tais como quarentena, confinamento ou isolamento profilático.


E, se estamos a viver esta quaresma prolongada, então aproveitemos para fazer o que é suposto ser feito: refletir, mudar estratégias mentais, evoluir no sentido de um maior equilíbrio, mais saúde física e mental, mais respeito e mais amor por si e pelos outros.


O amor, que se decide acasalar por estes dias. O amor que se decide constituir.


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A constituição em que assenta o amor tradicional é pesada, tem inúmeros artigos, envolve bens e filhos, ativos e passivos. E quanto mais envolventes contém, mais se mantém, indestrutível, para lá do amor inicial, que pode até já ter passado ou que vai e volta de forma intermitente.


Os filhos, os nascimentos, frutos de um amor que poderá ser mais breve ou duradouro. São os cidadãos que reproduzimos para o mundo.


 

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