Dia das Cinzas

Primeiro dia de uma longa quaresma, uma quaresma que já se prolonga por mais de um ano.


As cinzas, provêm da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, representam a mortalidade e o arrependimento dos pecados.


Inicia-se assim a quaresma, um tempo de reconversão, apela-se ao jejum, à abstinência dos vícios e hábitos que nos prejudicam, a uma mudança interior e exterior, por consequência da primeira, à caridade e à reflexão ou oração.


Se aceitarmos este convite, que se funde com os ciclos da natureza e com a cultura difundida, desde há pelo menos dois milénios, possivelmente viveremos este tempo com significado, com propósito, dois adjetivos que tanta falta fazem para dar sentido, fazer a diferença, nestes dias que monotonamente se sucedem. Romper com os números que aumentam ou diminuem dia a dia, algumas centenas ou dezenas, sabemos lá nós já quantos são, de tanto serem repetidos tornam-se ocos de significado.


Quantos foram os mortos hoje por covid? E quantos morreram de tristeza? Mais triste do que a morte será morrer em amargura em solidão, em desalento...


É este o foco, a lanterna com que quero iluminar esta longa quaresma: melhorar a forma como se vive para melhorar a forma como se morre. Viver com dignidade para chegar ao fim da vida com essa mesma dignidade, isto é ser humano, superar os básicos instintos animais de apenas respirar, beber, comer, dormir e voltar a repetir.


Nesta quaresma vamos ser mais do que os animais, que já somos, vamos tentar ser humanos!


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Pulvis es, tu in pulverem reverteris: Sois pó, e em pó vos haveis de reverter


Do pó somos ao pó voltaremos, se compreendemos isto, então, temos o dever, de pelo meio sermos mais do que esse pó, mantendo a humildade das origens e do regresso.


Não devemos temer perder a vida, pois esta é uma condição de se ser homem, mas devemos temer as nossas escolhas e reflitir sobre os nossos defeitos.


 


 

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