Estar comigo

Ironicamente, nestes dias de confinamento obrigatório, tenho tido muito pouco tempo para estar a sós comigo e, isso tem-me feito falta, a mim e às minhas relações.


Ficar a sós connosco significa, por momentos significativos para cada um de nós, sentirmos que somos "donos do nosso tempo". Nunca somos, mas por vezes conseguimos criar essa ilusão.


Como?


Decidindo o que fazer, só porque nos apetece. Só porque sim, sem seguir uma ordem ou uma lista de prioridades.


Decidir fazer aquelas coisas que só se fazem quando não há mais nada para fazer.


Ou ficar apenas a contemplar, sem estar a perspetivar ou a pensar já no compromisso que agendamos e que se aproxima na vertigem do tempo.


O tempo para estarmos sós está a escassear e é esse o tempo que nos parece mais longo, que por vezes parece que não passa tão depressa. O tempo do encontro apenas connosco. 


Neste momento parece um luxo, fora do alcance de muitos.


Podíamos pensar em tirar uns dias para ir de férias. Sair do local habitual, deixar todos os hábitos, rotinas, regras e compromissos para trás durante um dia ou dois, quarenta e oito horas que nos pareceriam o dobro.


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Mas não, temos de pensar em ficar, aguentar, mais um pouco, pouco esse que que não se sabe quanto, pouco que até pode ser muito, até pode ser demais...


Demais porque insustentável mentalmente e fará a nossa capacidade de nos relacionarmos em farrapos. 


 


 

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