Fenómenos do Entroncamento
Carneiros com quatro cornos, abóboras de 60 kg ou a raposa que mordeu o caçador.
Foi Eduardo Brito, um funcionário da CP, com arte para o jornalismo, que divulgou as notícias mais bizarras em jornais.
"Não há dinheiro que pague o melro branco… do Entroncamento." A notícia publicada no fim dos anos 50, na primeira página do Diário Popular, contava o interesse por uma ave bizarra encontrada a viver numa quinta próxima da então vila do Entroncamento. Ora tendo os melros, por natureza, plumagem preta (os machos), e castanha (as fêmeas), a notícia de um melro branco causou espanto no País. Tanto que, uns meses depois da revelação, o jornalista Eduardo Brito, que escrevera sobre o insólito, revelava no mesmo jornal que um colecionador oferecera cinco contos (o equivalente hoje a cerca de 2.200 euros) pela ave albina, por "ser única na ‘família’ dos melros que existe no mundo", lê-se no diário. No entanto, a proprietária do melro, D. Maria Ferré, recusou e avisou que "por dinheiro nenhum" venderia a ave.

E assim, a partir dos anos cinquenta se começaram a dar atenção a fenómenos insólitos que volta e meia aconteciam, onde? No Entroncamento!
Entroncamento é um local já com um nome místico, local de encontro de linhas férreas que se juntam, cruzam e separam e formam um nó central ferroviário de onde partem e onde chegam quase todos os comboios da região litoral oeste de Portugal.
É do Entroncamento a minha amiga Ana. Também ela e a sua família são dignos habitantes da terra e fenómenos singulares, cada vez mais singulares, num mundo que se altera para a individualidade, o culto do ego e o faça você mesmo.
Contudo, a Ana, enquanto fenómeno consegue na singularidade atingir a pluralidade e espalhar aos sete cantos do mundo o seu talento para construir histórias... ela não se fica por ser uma simples contadora de histórias, não! Ela oferece ferramentas, palavras, ideias, sentimentos para que as próprias pessoas sejam sujeitos ativos na construção das suas histórias.
A Ana é imensamente inteligente e sabe que ninguém ouve e entende as histórias que contamos da maneira e forma que estamos a contar. Cada um ouve, constrói e desconstroi, à sua maneira, o que dizemos, por isso, o foco do emissor das histórias não deverá ser contar uma história que faça sentido para si, mas sim, oferecer pedaços de informação, oferecer ideias, oferecer sentimentos para que o outro faça o seu entendimento da realidade e crie o seu sentido. Só assim quem ouve histórias poderá ser também um criador de histórias e mais do que ouvir, senti-las, vive-las e experimentar-se vivo!
A Ana adora histórias e eu adoro a Ana.
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