Colocar sentimentos no que se diz e faz

É muito perigoso.Sobretudo colocar sentimentos no que se faz. É mesmo muito perigoso.


Porquê?


Se colocarmos sentimentos, por exemplo, na confeção de uma refeição para nós e para mais alguém, essa refeição irá transmitir o nosso estado de humor. Ou será uma delicia ou um desastre. Seja uma ou outra versão será um pouco de nós que estará ali na mesa, a ser servido.


Isto de ser um pouco de nós, horas do nosso trabalho, feito com os nossos sentimentos, é muitíssimo perigoso!


Quem irá beneficiar, alimentar-se, com aquele pedacinho de nós? E se o rejeitar, se o maldizer, então rejeita e maldiz uma parte de nós?


Claro que quem se alimenta, está a tomar simplesmente uma refeição, nem lhe passará pela ideia que ali está um pedacinho do amor da dedicação e do trabalho, um pedacinho do outro (que insensibilidade).


Se a refeição for feita por um cozinheiro, que não se conhece e nunca se vê, torna-se mais fácil ignorar o que representa aquela refeição.


Se há homens com barriguinha, bem nutridos, são homens aos quais, desde pequenos, fizeram compreender que, aceitar o amor da mãe e o amor da esposa é bendizer o que estas mulheres lhe colocam no prato, elas estão ali, um pedacinho delas está na refeição, rejeitar alimentos, será rejeitar o amor, o trabalho e a dedicação de figuras tão importantes como a nossa mãe e a nossa companheira.


Eu sei que estou a ser sexista, neste exemplo e, que uma extraordinária solução para reformular o perigo do julgamento do amor colocado num prato, será fazer o prato em conjunto. Se ambos estiverem envolvidos na confeção, as queixas, se existirem serão também partilhadas.


Quem diz homens, diz mulheres às quais também desde muito cedo foi passada a mensagem de que quanto mais amadas seriam mais alimentos receberiam e que todo o amor deverá ser recebido e guardado (nem que seja em forma de células adipócitas que são mesmo isso, reservas de amor).


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Quem diz refeições, diz tratamento de roupas, limpeza e higiene de espaços. Mas também diz peças de artesanato, plantas, animais, a forma de vestir e de se apresentar, compras que se fazem, momentos que se planeiam.


E se, o fim de semana, que alguém programou com todo o carinho e dedicação não corre bem? E se nesse fim de semana ocorre uma intempérie qualquer e nós não temos um segundo plano, carinhoso, para colocar em prática?


Dirão mal dos nossos planos, dirão mal de uma parte de nós que estava envolvida naquele fim de semana desastroso. Foi tempo, dinheiro (ganho com o nosso trabalho e tempo) e dedicação que ali colocámos e que falharam.


Interessante, o dinheiro, é uma forma fácil de fazermos circular e de dar valor ao nosso trabalho e tempo. Numa nota, numa moeda, estão ali condensados tempo e trabalho físico e mental. Rejeitar o nosso dinheiro, desvalorizá-lo, é fazer isso a uma parte de nós.


Neste momento já estarão a pensar (se calhar a falar):


 - "Não... não é nada assim... não deverás ver as coisas dessa forma. Não estamos nada nas refeições, nas férias, no dinheiro. São simplesmente coisas e momentos, nós não estamos lá. Não somos parte disso... quando rejeitam uma refeição não é a nós que nos rejeitam... isso é personalizar demasiado aquilo que fazemos".


- "Aquilo que somos é diferente daquilo que fazemos, que por seu lado é diferente daquilo que os outros recebem de nós e entendem de nós".


E então, eu respondo.


Ah é? Então, quem somos?


 


 

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