Expandir o tempo presente

O que é?


É viver no aqui e no agora, em plenitude com o que se passa no nosso interior e no nosso exterior, ser completamente respeitador dos nossos sentimentos e necessidades.


É vivermos em harmonia com o nosso ser e comunicar da forma mais eficaz possível com o exterior, sem recurso discursos vitimizadores, negativos, repressivos, motivados pelo medo ou pela insegurança. Algo que só é possível quando assumimos o aqui e agora como um todo, completo e perfeitamente imperfeito. Completamente natural e normal.


Se abdicarmos do que nos faz sentir bem, se nos desligarmos do que o nosso interior comunica, como quem cala um aparelho de rádio, se não dermos a atenção ao que se passa dentro de nós, vamos descendo no funil do esgotamento, como Marie Asberg (psiquiatra, atualmente aposentada, do Carolina Institute de Estolcomo) metaforiza.


Asberg, imaginou a metáfora do funil para que os outros conseguissem visualizar também o que lhes pretendia transmitir.


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O círculo superior representa a forma que a vida assume quando a vivemos de forma plena e equilibrada.


À medida que surgem situações às quais nos sentimos "obrigados" a atender, vamos deixando alguma coisa de lado para nos centrarmos no que nos parece ser o "mais importante".


O círculo estreita-se, tal qual a nossa vida. A primeira coisa que largamos é aquilo que nos satisfaz mas que consideramos "opcional".


O funil vai ganhando forma à medida que o círculo da nossa vida se vai reduzindo.


É muito fácil sermos absorvidos pelo funil do esgotamento, se tivermos muito trabalho, nos sentirmos sobrecarregados, é perfeitamente normal arranjarmos espaço para simplificar temporariamente a vida. De uma forma geral isso significa renunciar a um hobby ou a uma parte da nossa vida social. Esquece-mo-nos do quanto essas atividades são importantes, até essenciais para o nosso bem-estar e que a presença delas na nossa vida não é supérflua , pois o seu exercício conjugado com as responsabilidades significa mais energia, criatividade e eficácia.


Quando abdicamos de partes de nós, quando reduzimos a nossa vida apenas ao que consideramos "importante", sem nos permitirmos ser outras coisas, então, perdemos eficácia e para conseguirmos ter os mesmos resultados concentramos-nos ainda mais no que é "importante" e reduzimos ainda mais o que fazia parte da nossa vida, que nos agradava. Continuamos a deixar para trás atividades que nos preenchiam e senti-mo-nos cada vez mais cansados, indecisos e infelizes. Esse estado, pouco produtivo para o nosso gosto, e para o nosso grau de exigência connosco mesmos leva-nos a concentrar ainda mais no que consideramos ser agora a "prioridade", o mais "importante" e deixamos cada vez mais outras áreas da nossa vida para trás.


No final do funil ficamos só com o trabalho e/ou com os fatores que nos criam tensão. No final do funil estamos sem recursos, sem capacidade de nos refazermos, estreitados e apertados na nossa própria armadilha.


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Esgotados.


O desafio para todos nós será recuperarmos o respeito por quem somos. Ouvirmos com mais atenção o nosso interior. Percebermos o quão importantes são os pequenos momentos de prazer ou de satisfação na nossa vida. Vivermos sem estarmos à espera, ou a guardar pelo tempo livre (que tarda em chegar) para fazermos o que nos faz bem.


Vivermos aqui e agora, neste momento!


Isso é expandir o tempo presente.

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