Gestão de stress - síntese
Q: O relógio e/ou a bússola?
R: A bússola, a rosa dos ventos, o sextante, o relógio, o bloco de notas, o silêncio, a atenção plena, a sensibilidade à matéria e à energia, a escuta, o diálogo. Todas estas ferramentas e mais algumas que se venham a associar umas mais na moda outras mais ultrapassadas, são úteis instrumentos que nos fazem parar um pouco, observar e refletir, orientar na forma como devemos gerir o nosso tempo;
Q: Quais os critérios de distribuição do meu tempo?
R: Saber distinguir as atividades urgentes das não urgentes, as importantes das não importantes, saber distinguir para as enumerar, classificar e ordenar, de forma a rentabilizar o tempo da melhor forma.
Classificar as atividades é algo complexo, pois a importância e a urgência são conceitos relativos. Diferentes para cada um de nós e relativos face à dimensão com que os comparamos. Se compararmos com a finitude da vida, quase todas as futilidades e efemeridades deixam de ser urgentes ou importantes, mas se comparármos apenas com as necessidades básicas da nossa existência então, sem querermos fazer Roma e Pavia num só dia, conseguiremos pelo menos dar uma ordem relativa e cumprir algumas das atividades que consideramos mais importantes naquele momento.
Ao ordenar tarefas, uma boa dica, será colocarmos nos primeiros lugares as atividades importantes mas que menos nos motivam e depois as mais apelativas.
Q: Quais os meus principais cronófagos (elementos que roubam o nosso tempo)?
A necessidade de se tomar consciência dos cronófagos, elementos que interferem nas nossas vidas e introduzem os chamados imprevistos nos nossos planos, coisas que não controlamos, é uma etapa importantíssima da gestão do tempo e do desenvolvimento das nossas competências na gestão do stress. Devemos desenvolver mecanismos de defesa tais como: dizermos e justificarmos um «não» a certos cronófagos, como as solicitações telefónicas, as redes sociais, os convites dos amigos durante o período de trabalho, ou recusar aceitar um prazo que nos parece curto para a realização de determinado projeto.
Compreendermos os nossos limites e estabelecermos períodos de descanso e de pausa, muito antes do cansaço chegar, estabelecer um sistema de recompensas, em etapas mais curtas e simples em vez de apenas no final da maratona.
Q: Quais os sintomas e riscos do stress?
O principal risco advém de uma má gestão do tempo, se não formos bons gestores do nosso tempo, então iremos permitir que o caos e a anarquia se instalem e pareceremos um barco à deriva. O oposto, querer controlar tudo e todos também é um fator de risco.
O meio termo, é sempre o lugar mais seguro e mais confortável. Se conseguirmos encontrar o equilíbrio, iremos conseguir reduzir significativamente a irritabilidade, a impaciência, a insegurança, o nervosismo.
Q: Quais as medidas para gerir o stress?
Um aproveitamento inteligente do tempo e uma preparação adequada das tarefas, pode ser uma boa estratégia para evitar picos de stress. Horas de sono tranquilo, uma alimentação adequada e tempo para descanso são também procedimentos importantes para atenuar o stress.

Fernando Pessoa através do seu heterónimo:
Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.
Sim: existo dentro do meu corpo.
Não trago o sol nem a lua na algibeira.
Não quero conquistar mundos porque dormi mal,
Nem almoçar o mundo por causa do estômago.
Indiferente?
Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso,
Um momento no ar que não é para nós,
E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra,
Traz! na realidade que não falta!
Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passe adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salte por cima da sombra.
Não; não tenho pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só aonde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E somos vadios do nosso corpo.
E estamos sempre fora dele porque estamos aqui.
Deixo-vos a pensar nestas palavras.
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