Identifico o que me desiquilibra emocionalmente

Partindo da definição de equilíbrio emocional que significa sentir-mo-nos bem connosco e com os outros, em harmonia com o interior e o exterior, conseguindo aceitar e lidar bem com os pensamentos e as emoções que os acompanham, gozando um estado de tranquilidade ajustado às circunstâncias, mantendo uma postura ativa, reações pacíficas e harmoniosas, mantendo a lucidez das ideias, a tranquilidade e a coerência do discurso, então:


O que nos provoca uma alteração deste estado e desequilibra tudo?


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O que nos faz saltar a tampa? O que desencadeia a torrente de pensamentos e emoções que nos aceleram o batimento cardíaco, que nos fazem ruborizar, que nos aumenta a produção de palavras e gestos, ou que, pelo contrário, nos paralisam na pior altura?


A resposta imediata é:  "encontrar a toalha toda torta no toalheiro da casa de banho!".


Trata-se da resposta óbvia. Alguém faz alguma coisa que nós não gostamos, não toleramos e isso provoca-nos um desequilibro, um mal estar interior com o qual esbarramos e nem sempre sabemos lidar. Um mal estar que permanece durante mais tempo do que o necessário, face à pouca importância do assunto, mas que nos altera evidentemente e nos descontrola e sobressalta da paz interior que desejamos.


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Contudo, não é essa resposta óbvia que se pretende alcançar. A resposta que se pretende é: descobrir o que, em mim, sem ser por culpa dos outros, o que está dentro de mim, que não me permite ser tolerante à toalha fora do sítio. Que importância dou à toalha para que o seu desalinho me consiga também desalinhar?


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Quem diz toalha, diz outra qualquer coisa ou situação que nos irrita, que nos tira do sério, que nos transtorna, que nos faz alterar o nosso estado emocional de um lago para um mar revolto.


A toalha recebe o significado das nossas emoções que se relacionam com a arrumação, a gestalt das boas formas, a necessidade imperiosa de: "para me sentir bem tudo terá de ter a ordem que eu considero ser a correta".


Então, se a causa está na forma como eu interpreto o mundo, tentar informar, pedir, aos outros - "por favor não deixem a toalha desalinhada", não é a solução. Responsabilizar os outros pelas nossa emoções interiores não será a solução ideal de longo prazo e efeitos permanentes que se deseja. Mais tarde ou mais cedo os outros irão esquecer, relaxar, voltar ao comportamento anterior e nós continuamos a despoletar as emoções negativas a propósito de uma ninharia!


Parece uma ninharia, algo sem importância, contudo essa aparência exterior inócua, está associada, no nosso interior a uma complexa rede de recordações, emoções e significados, tão bem enrolados e construidos ao longo da nossa vida, que tocar na superfície faz estremecer uma complicada teia de conexões.


Estamos irradiando nuestro estado mental y espirit


Descobrir que teia é, que recordações, aprendizagens estão ali a influenciar a nossa reação é trabalho árduo. É como se estivéssemos a puxar um fio, para lhe dar uma nova ordem.


Mas será isto que se pretende? Analisar, compreender, à luz da nossa capacidade atual de entendimento, as memórias, emoções aprendizagens guardadas na formação da nossa mente?


E  depois dessa análise, conseguiremos o resultado esperado? Ou seja, depois de descobrir que a toalha desalinhada significa a desilusão com o outro, o outro que eu amo e que não me compreende, que não é sensível ao carinho e à dedicação que coloco em cada gesto (nomeadamente no de manter as toalhas da casa de banho alinhadas)? 


Sim, a resposta é SIM, o que se pretende é mesmo compreender, à luz da nossa capacidade atual de entendimento, as memórias, emoções aprendizagens guardadas na formação da nossa mente  MAS, tem um mas maiúsculo no final.


MAS, depois da análise e da descoberta de que, o que nos desperta o desconforto interior está também no nosso interior, modificar, ou reparar isso poderá ser efetuado de diversas maneiras:


Uma delas, poderosa, pode ser usar a criatividade e mudar o ambiente por forma a que o desalinho se resolva fisicamente:


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Poderemos ainda falar sobre o assunto, não resolve-lo mas dissolve-lo, como estou a fazer aqui, de tanto o decantar de um tubo de ensaio para outro tubo de ensaio, a substância inicial já perdeu a sua força e começa a ser uma solução menos capaz, menos poderosa, depois de falar tanto na toalha, de partilhar o assunto, de esmiuçar o que está subjacente, verifico que afinal o monstro não é assim tão poderoso (mas não resolvo todos os monstros, apenas um de cada vez)!


Imaginar esse monstro com sardas, de cabelos com laços, ridicularizar o monstro, faz com que ele se torne não só fraco, mas também cómico e aí conseguimos mudar o que o monstro é. Não só enfraquecemos o poder como conseguimos mudar o seu significado.


Quando, mesmo sem desembaraçar todas as experiências, emoções, aprendizagens, recordações, bem enroladas na nossa mente que nos constroem enquanto seres humanos únicos, dizia eu, quando mesmo sem desembaraçar, esmiuçar, analisar, conseguimos, mudar o significado, inserir uma chave que nos permite uma mudança, uma chave disponível sempre que desejamos para ser usada em situações de aflição, então estamos perante uma solução terapêutica que nos salvará de muitos aborrecimentos e nos trará um maior bem estar à nossa vida.


E que chave é essa?


to be continued...

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