Quem tem medo da felicidade?
Os portugueses!
Estão em 58º lugar no raking dos países mais felizes do mundo, atrás de países como Espanha e Itália em 27º e em 28º lugar respetivamente. Os nosso vizinhos espanhóis aparecem muito mais felizes do que nós... poderão não ser, (e ser só mesmo aparência) pois, nós portugueses, se somos felizes, não gostamos de o dizer ou demonstrar. Por outro lado, não nos inibimos em apregoar a infelicidade aos quatro cantos do mundo!
Diria que poderíamos estar mais acima neste raking se não tivéssemos medo da felicidade, ou seja se não tivéssemos em nós, tão enraizadas, crenças tais como: depois da bonança vem sempre a tempestade, não há felicidade que sempre dure e não vamos viver felizes para sempre, se gritar aos sete ventos que estou feliz vou atrair invejas e maus olhados e a minha felicidade terminará. Como respondo a um cumprimento? "Vai-se andando" ou com um insonso "Está tudo bem".
Boicotamos a nossa felicidade fazendo pouco uso do olhar positivo sobre os assuntos. E ainda menos uso de palavras de alento, de força, de incentivo. Procuramos a desgraça nos media e ficamos mais atentos às notícias catastróficas do que às boas notícias (será que existem?). E parece que somos felizes assim e não queremos ser de outra forma (a nossa infelicidade aparente esconde a nossa felicidade latente).
Isso de ser feliz, de espalhar sorrisos e de demonstrar bem estar, não é para nós... é só para quem vive na Finlândia ou na Islândia. Nós temos de manter o nosso semblante fechado, os lamentos quotidianos e dar pouca confiança aos de fora.
Deixem-me estar para aqui neste país endividado, triste e mal fadado e não me chateiem muito com a felicidade que isso dá-me nervos.

"Depois da tempestade, vem a bonança", "Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe"... Teremos mesmo medo da felicidade? Ou sabemos que nos faltam muitas condições de bem estar que existem na Finlândia ou na Islândia? A Islândia não conheço, mas a Finlândia é dos países mais xenófobos onde já estive (em trabalho). Ou teremos uma certa tristeza cultural que nos leva ao fado, à saudade, à poesia... e será isto pior que viver na "felicidade" apatetada e egoísta que é moda apregoar, de viver longe de tudo o que incomode...
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