Saber viver
Diz o ditado que "viver não custa, o que custa é saber viver".
Como todos os ditados tem a sua razão.
Se saber viver custa, vamos lá pagar por isso, para nos tornarmos melhores viventes.
Quando eu digo pagar, refiro-me (essencialmente) a pagar com tempo e atenção.

Mini curso de "Saber Viver"
1. Conhece-te a ti próprio. Não tenhas receio de viver contigo, de pensar o que pensas, de te dar atenção a ti, ao que tu gostas e ao que tu queres.
2. Fazer uma lista do modo como ocupas o teu dia.
3. Fazer listas de tudo e de mais alguma coisa (as listas são ferramentas poderosíssimas).
4. Analisar as listas, dialogar com elas, riscar o que não interessa, ordenar a lista de acordo com a ordem que lhe quiseres dar.
5. Rabiscar, sublinhar, envolver, colorir, desenvolver um planisfério do teu cérebro (com todo o cuidado de entender que representa apenas uma parte, tosca, da nossa forma de pensar acerca de algo).
6. Traçar um plano, incluir nesse plano alguns detalhes e muito espaço para imprevistos (vão sempre acontecer).
7. Comprometeres-te com esse plano e partilhá-lo com alguém que esteja, de alguma forma, presente no plano (de observador a cúmplice).
8. Colar o plano num local visível e ir olhando para ele.
9. Monitorizar e modificar o plano a cada dia.
10. Pensar em arrancar o plano da parede, amarfanhar e deitar fora (viver não é ser escravo de listas e planos, pois não?).
Viver é ser escravo de alguma coisa, de ti, do amor, das tarefas (das tarefas que se fazem com amor).
Poderás reformular a palavra "escravo" por ser "livre" de fazer as coisas que não queres fazer, da forma que não queres fazer e quando não queres fazer. Podes recolorir da forma que mais te apetecer, mas não vais conseguir escapar ao que não gostas de fazer (a não ser que passes a gostar).
És livre de transformar a realidade que não desejas em algo desejável. Essa é essencialmente a tua liberdade.
A liberdade de ser livre, à toa, sem planos só está ao alcance dos doentes internados no hospital psiquiátrico, e mesmo esses tem de cumprir rituais de higiene, alimentação e medicação e atividades e consultas (ups! desculpem, retiro o que disse, viver livre, à toa, sem planos... estará ao alcance de alguém? Se souberem digam-me).
Podes escolher viver à toa os planos dos outros ou viver traçando, minimamente, os teus planos e conduzindo, minimamente, a tua vida, apenas para sentir que és tu a viver, a decidir e a ser.
Mas para conduzir é preciso saber como se conduz e para onde se vai, qual o percurso e se estão reunidas todas as condições para a viagem (combustível, condições de segurança, funcionamento, tempo e oportunidade).
Para viver é necessário algum esforço, nem tudo é festa, ou "deixa-andar".
A questão é sabermos se queremos viver ou apenas sobreviver.
E se a primeira opção é a resposta, então, saber viver torna-se importantíssimo.
Bora lá? (António Machado)
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