Sair da zona de conforto
Engraçada esta ideia que se tornou mais frequente em tempo de confinamento. Numa altura em que estamos mais confinados ao nosso sofá e à nossa casa, multiplicam-se os apelos para sairmos da nossa zona de conforto.
E quando a nossa casa e o nosso sofá não são zona de conforto?
Acredito, que sobretudo nos primeiros meses de confinamento a nossa casa se tenha tornado, de repente, muito desconfortável e tenhamos descoberto que afinal confortável era a dureza da viagem, a adversidades climatérica, a mesa e as reuniões de trabalho.
Entretanto, os meses passaram e nós como seres inteligentes e muito adaptativos, adapta-mo-nos ao conforto das tecnologias, ao conforto possível da nossa casa e da nossa freguesia e redefinimos os nossos limites a uma área mais estreita e confortável.
Quando surgem estes apelos a sairmos da zona de conforto, julgo que subjacente está o receio, estará a ideia de nos termos adaptado e aconchegado tão bem a este modo de vida em confinamento, que não vamos querer sair deste conforto.
Pode ser verdade, ou não, só o futuro o dirá.
Para já, motivam-nos a sairmos da nossa zona de conforto.
O que significará isto de sair da minha zona de conforto? Poderá significar fazer algo que nunca antes fiz, fazer algo que me cause dor intensa, fazer algo que me canse imenso, fazer algo que exija de mim ir ou ficar mais tempo do que aquele que eu suponha que tinha, fazer algo que tenho receio de fazer.
E se o fizer? O que ganharei com isso? Sim, porque o ser humano procura instintivamente a recompensa emocional, física, o que seja, o ser humano está permanentemente a fazer a avaliação entre o deve e o haver. É uma avaliação automática, nem sempre explicita mas implícita a tudo a que nos propomos.

Pelo que, só nos movimentamos se perspetivarmos um ganho, mais não seja ganhar uma amizade, ganhar um abraço.
Até ponderamos sair da nossa zona de conforto, se for algo temporário e, com o objetivo de alcançarmos um conforto maior.
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