Sentimentos fortíssimos
"Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: a controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo". Indira Gandhi.
Esta frase é de Indira Ghandi um homem que reformulava a ira em gestos de paz, em semblante de tranquilidade. Um homem que com a paz julgava ser possível mudar o mundo e desconcertar os inimigos (isso ele conseguia desconcertar os inimigos).
Ele próprio também se irritava e se descontrolava.
Acontece a todos.
Hoje aconteceu-me a mim e é por isso que escrevo.
Senti o poder da ira em mim hoje! Senti uma emoção tão poderosa, que até me assustou, sobretudo quando racionalizei e reparei que emoções, ditas positivas, não costumam ser tão poderosas. Não me movimentam, exasperam, concentram de uma forma tão violenta.
Momentos depois deste episódio ocorreu um sismo. E novamente me conduzi à reflexão contida na frase de Indira Gandhi... se eu transformar a minha ira em energia, farei mover o mundo...
Sentir a violência das emoções e no mesmo dia um sismo é catalisador de mudanças, sobretudo no que diz respeito à dita energia que deve ser usada na construção e não na destruição.
Suponho que, com a aprendizagem precoce de que devemos ser boas pessoas, bonitas por dentro e por fora, reprimimos muitas coisa que consideramos ser feias.
Reprimimos a agressividade, a ira, a fúria, mas essas emoções não deixam de existir e se não as canalizarmos, não as aceitarmos e não as usarmos de forma nenhuma elas irão acumular-se dentro de nós e soltar-se-ão a qualquer momento, de forma incontrolável, como um forte abanão.
Ainda bem que o nosso planeta é mais sábio do que nós e vai libertando a sua energia em pequenas doses... o sismo foi de magnitude 3.3 na escala de Richter. Receie que atrás desse viessem outros... e o que faria?

Voltei ao pensamento do meu post anterior e verifiquei que comparar as nossas miudezas com uma catástrofe, que não nos leva à morte mas conduz à destruição de todos os bens materiais que colecionámos, ainda será um pensamento mais inquietante do que comparar as nossas decisões com a iminência da morte, pois a grande diferença é que ficamos cá para juntar os cacos (sejam eles físicos e/ou emocionais) e reformular efetivamente o que é, e o que não é, importante na nossa vida.
Perante um cenário de catástrofe, os nosso limites desaparecem, as oportunidades são o único caminho e a mudança é inevitável.
O desafio coloca-se em sabermos aproveitar a nossa energia, sobretudo aquela que vem da nossa ira, ou dos nossos piores sentimentos, energia essa que é tão forte que a devemos saber conduzir e usar não na destruição, não depois da catástrofe, mas todos os dias na construção de algo que nos realiza.
Seremos capazes?
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