Tempo para mim e em horário nobre!

Lançaram-me o desafio de "fazer uma coisa por mim, diariamente".


Em primeiro lugar, surgiu a questão:


O que é, para mim, fazer algo por mim?


E até que ponto, quando estou a fazer algo pelos outros também não o estou a fazer por mim?


Claro que sim! Faço pelos outros comigo incluida, fazendo também por mim...


Acontece-me tantas vezes, tantas quantas me disponho a "ajudar os outros" no processo de ajuda também eu já estou a ser ajudada, por vezes de forma mais indireta, mais subtil, outras vezes de forma mais evidente e direta, quando me proponho a fazer algo, seja por mim ou pelos outros já estou em processo de "fazer algo por mim".


Se entender o "fazer algo por mim" como algo solitário, então, vou procurar coisas que faço, (ou não faço), no meu dia que envolva só a minha vontade, o meu querer, o meu ser, o meu tempo. E de imediato encontro atividades tais como: tomar banho, ler um livro, ouvir música, andar de bicicleta, andar a pé, conduzir para algum local mais isolado, ficar sozinha, meditar, etc.


Depois, vem a questão relacionada sobre se dedico tempo a estas atividades solitárias?


E a resposta, será: "muito menos do que o tempo que ocupo com atividades que envolvem outras pessoas ou em que os beneficiários também são outras pessoas". Por vezes numa semana nem sei se os 5 minutos do duche rápido que tomo já a correr com pressa de ir fazer algo com os outros contarão como "fazer algo por mim". Ou os dois minutos que paro par respirar fundo também poderão entrar nessa contabilidade, ou melhor, se calhar posso incluir as seis ou sete horas de sono em que fico apenas comigo... pelo menos, a dormir, consigo fazer algo por mim e durante muito tempo!


Mas se dormir não for fazer algo por mim, de facto usar tempo do dia, e ainda por cima em horário nobre, para fazer algo por mim é coisa rara!


Quase impensável!


Por exemplo, se decido fazer uma pausa a meio do dia para ler o livro que eu quero ler e decido dedicar à leitura uma hora do meu dia, em horário nobre, muito provavelmente surgirão atividades que irão chocar, atropelar e esmigalhar esta leitura e eu acabarei por fechar o livro, ao fim de dois três minutos e guardar a leitura para aqueles cinco minutos antes de adormecer em que, cansadíssima, leio uma frase e fecho os olhos, já sem energia suficiente para entender o que lá está escrito.


Chegando ao fim do dia e verificando que de facto não tive um tempo em condições para fazer algo só por mim, acabo por me informar, que não estou a cuidar bem de mim, que não me estou a dar a atenção devida, que não estou a reparar nas minhas necessidades.


Será?


Não me parece, pois, apesar de não ter estado a ler, meditar, passear, dançar... sozinha, só comigo, estou bem, estou completa e preenchida.


Durante o dia preparei as refeições para toda a família (para mim também) sentei-me à mesa com a família saboreando os alimentos e conversando sobre os mais diversos assuntos, fiz passeios com o meu companheiro cuja companhia me agrada e estimula a ir ainda mais longe, a fazer ainda mais por mim, do que se estivesse sozinha, e com menos desconforto, pois, com companhia tudo se torna mais fácil, cria-se uma dualidade energética, semelhante àquela que surge quando se  carrega, dividindo as asas, de um saco muito pesado. É muito mais fácil!


E este tempo de partilha não será também meu?


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Se sim, nesse caso, posso dizer que passo o dia a fazer coisas por mim, contente e feliz por isso, e em todos os horários, incluindo o nobre.


Faço o que escolhem para eu fazer e o que eu escolho fazer e em ambas as versões entrego-me de corpo e alma e retiro o meu proveito.


É tempo que uso comigo.


Também que de outra forma poderia ser entendido o tempo que vivo, pois se não consigo separar o meu ser do meu estar e do meu fazer?


Vivam e realizem!


 

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