A menina a quem o mar não obedecia

Ser com as crianças, acreditar em fantasias e achar todo o mundo que nos rodeia, mágico e fantástico...


Ser como crianças e fantasiar...


Fantasiar com a existência de almas gémeas, fantasiar com a  ocorrência de fenómenos da natureza controlados pela nossa força mental, ou pela nossa influência no ecossistema, fantasiar com o poder de controlar e mudar os outros, fantasiar com o poder de controlar a nossa vida.... 


Isto é ser criança. Ser inocente, ser poderosamente centrado em si, nos seus sonhos, nos seus poderes, nas suas capacidades, ser crente das suas possibilidades de realização de sonhos e... fantasias.


No mundo interior infantil, tudo é possível, até o absurdo.


Para evoluir, para evitar a estagnação, para evitar a depressão, convidam-nos a sermos crianças, a descobrir a criança criativa que adormeceu em nós, a fazer renascer em nós a esperança, a fantasia, as emoções mais básicas e mais poderosas. 


Contudo, a inocência já não existe e já não conseguimos enganar a criança que há em nós, convence-la do seu poder e da magia...


Desafiar os limites, aprender de novo, renascer, voltar a ser criança, é uma brisa que dura cada vez menos, à medida que o tempo nos tira a virgindade.


Onde nos devemos encontrar? Em que local nos devemos posicionar? 


Alguém sabe? Ou julga saber?


Porque será que o mar não nos obedece. Eu quero...


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Não basta querer e acreditar?


Não é essa a fantasia que se transmite de geração em geração, através dos contos, das fábulas e das histórias familiares...


Dos fracos não reza a lenda...


O mar não nos obedece...


Nem nós demonstramos obediência por nós próprios...


Vá! Bom dia, o dia já nasceu, são horas...


Acorda, bem disposto e vai!


Espalha sorrisos, alegria e o mundo sorrirá de volta, pois a realidade é reflexo de nós, colhemos o que semeamos, encontramos o que procuramos, temos o que pedimos, vemos o que pensamos....


Mas...


Nem o nosso interior é uno e consistentemente positivo, nem o mundo é assim tão generoso, tão simpático como nos queremos convencer. Misturado e impregnado com o sorriso está a testa franzida e os músculos das costas tensos. Misturado com um reflexo positivo do mundo estão as sombras desse reflexo.


E nós sentimos esta dualidade, tentamos desvalorizar os músculos das costas, centrarmo-nos no sorriso, mas isso é o equivalente a dizer que uma parte de nós não é boa, não satisfaz, não é aceitável... isso é fazer de conta que somos fortes ao mesmo tempo que nos enfraquecemos, que rejeitamos uma parte de nós, como se a sombra não fizesse parte da luz.


Que bom seria se mostrássemos o sorriso na sequência do relaxamento muscular das costas, porque aceitámos a tensão, partilhámos o desconforto e encontramos uma solução para nos sentirmos melhor.


Que bom seria se não fingíssemos sorrisos, que não nos tentássemos enganar com sorrisos para modelar pensamentos ou comportamentos, mas sorríssemos simplesmente porque nos conseguimos aceitar e nos sentimos realmente bem.


O mar não nos obedece. Porquê?


Porque nós não obedecemos sequer ao que sentimos.


Somos viajantes no nosso corpo, temos a missão de viver com ele, através dele. É ele que nos permite fazer e realizar o que somos, mas somos tão desobedientes, como o mar...


 


 

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