Completei a minha formação e agora?
Acontece tantas vezes aos jovens, quando completam os seus ciclos de estudos, e continua a acontecer aos adultos que continuam a formar-se, chegarem a um ponto de "meta", um ponto de fim de uma formação. Uma formação que se certifica com um diploma, que se termina com uma celebração, que nos preenche o currículo (e a alma).
Contudo, mais do que um ponto de chegada, qualquer formação é um ponto de partida.
Quando se parte para uma formação coloca-se todo o empenho, expetativas e abertura da mente operacionais para receber a novidade, a estranheza do que se possa encontrar. Quando se parte estamos disponíveis para nos questionarmos, nos desinquietarmos e sairmos da nossa zona de conforto.
Quando se chega, encontra-mo-nos novamente num ponto de partida.
Guarda-se o certificado, atualiza-se o currículo e parte-se da questão.
O que vou fazer com o que aprendi? O que vou fazer com os conteúdos e com as mudanças que esta formação operou em mim?
A mudança já se iniciou, dentro do casulo, já estou a aplicar e pretendo continuar a evoluir, a adaptar-me da melhor maneira ao que eu sinto e ao mundo em que vivo.
A formação em gestão de stress foi um caminho intelectual, muito fundamentado na prática. Todos os dias surgiam e surgem situações na nossa vida que nos colocam à prova e que solicitam a aplicação das aprendizagens sobre quem somos, o que sentimos e se somos ou não capazes de nos conhecermos, de nos analisarmos, de sermos sensíveis aos estados de espírito dos outros e à forma como interferem com o nosso estado de espírito, ser corajosos para dialogar sobre estes assuntos tão comuns, tão humanos e que escondemos, julgando que não são importantes. Aprendemos a conhecer o que nos faz reagir, como costumamos reagir e que forças e fraquezas temos ao nosso dispor para gerir melhor as situações de stress.
As ferramentas que temos ao nosso dispor partem da nossa forma de ver o mundo, saem da nossa mala de ferramentas. Podem ser a paciência, (até certos limites), as listas orientadoras, os mapas mentais, (quando tudo está muito confuso), os momentos para respirar, os momentos para relaxar, os momentos para ficar sozinho e os momentos para conviver. Podem ser a expressão de uma arte, uma sessão de exercício físico, ouvir música bem alto, a expressão de emoções, quaisquer que elas sejam.
Conseguir dialogar sobre as nossas emoções torna-nos mais acessíveis a nós e aos outros, mais sensíveis e simultaneamente mais vivos, porque mais completos. E foi isso que muitas vezes aconteceu na formação dialogámos sobre emoções, partilhámos formas de sentir e de reagir, e quanto mais o fizemos mais proveito retiramos da formação.

Integrarmos na nossa vida o que sentimos e darmos atenção ao que sentimos, não é apanhar um TGV, com pressa de chegar, sem sequer apreciar o caminho, focados apenas na chegada e zangados com tudo o que nos atrapalhe essa viagem, é olhar pela janela, estarmos sensiveis a quem nos acompanha na mesma carruagem, apreciar a paisagem, contar com os imprevistos e retirar proveito de todo o conjunto... tudo é tempo vivido (nunca tempo perdido), tudo é tempo da nossa maravilhosa vida.
A formação em gestão de stress está a terminar, e agora? Serei capaz de daqui para a frente gerir melhor o meu stress e espalhar o exemplo à minha volta?
Creio que sim, mas só a prática o dirá!
Comentários
Enviar um comentário