Fadiga Zoom

É uma nova síndrome, nascida, desta adaptação forçada e intensiva, à tecnologia para comunicar, quer em trabalho quer em lazer.


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Atualmente há poucas coisas que não se possam fazer através do recurso à tecnologia informática e aos ecrãs. Podemos meditar, namorar, peregrinar, viajar, visitar, simular, reunir, exercitar, dançar, cantar, aboborar, adormecer e dormir mal, depois de tanto estímulo visual e tão pouco tátil e odorífero, à frente de um ecrã.


Na ausência dos sinais corporais, na ausência de estímulos subtis que nos ofereciam indicadores, por vezes subliminares, sobre estados de espírito dos nossos interlocutores, ficamos como se amputados de uma capacidade natural que não se está a conseguir realizar.


A intensidade e o número de horas a que estamos sujeitos a uma forma de percecionar a realidade, incompleta, mecânica, não natural, leva-nos à exaustão e à fadiga e isto acontece sobretudo nas mulheres, de acordo com uma investigação que já se está a realizar por Géraldine Fauville, primeira autora da investigação e especialista em realidade virtual e comunicação na Universidade de Gotemburgo, na Suécia.


Géraldine identificou que a janela com a nossa própria imagem, a multidão de rostos no ecrã, a ansiedade em estar visível para a câmara e a falta de indicadores não verbais são os principais fatores a sobrecarregarem o cérebro e a conduzi-lo à exaustão.


Identificados os fatores, há que os minimizar e suavizar, num futuro em que o confinamento e o trabalho remoto não sejam uma obrigação ou uma recomendação pela nossa saúde (ou pela nossa insanidade).


A equipa de investigadores já desenvolveu uma Escala de Exaustão e Fadiga Zoom, ou EFZ. Fizeram uma sondagem pública e reuniram mais de 10.000 respostas que mediram a fadiga das pessoas nesta escala EFZ, para além disso a escala está disponível para tradução e adaptação a outras populações para ser usada por outros investigadores.


É essencial, não chegar ao ponto de exaustão e fadiga que o uso excessivo da tecnologia provoca e por isso há que adotar soluções como:



  • uma secretária elevada para reduzir a sensação de estar preso, ficando assim de pé e tendo um movimento mais natural durante as videochamadas ou conferências.

  • usa um filtro cor de laranja no seu ecrã

  • um dia por semana sem videochamadas,

  • intervalos de 10 minutos entre cada reunião  de uma hora.

  • fazer um telefonema, uma mensagem de texto ou um email se for o suficiente.

  • a nossa janela deve desaparecer passados alguns segundos para reduzir a ansiedade do espelho

  • minimizar o efeito do o chamado “olhar fixo” (desencadeador de perceções relacionadas com amor ou rivalidade, algo que não se pretende despertar propriamente numa reunião) calculando a distância percebida entre o utilizador e o seu parceiro de videochamada e, de seguida, limitar o tamanho máximo de exibição das suas cabeças no ecrã.


Se existem desvantagens e se estas podem ser superadas porque não, pensar nelas e adotar as soluções?


 


 


 

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