O que nos motiva para a ação

É Sexta-feira Santa, estamos no Tríudo Pascal. Depois da Quaresma (o caminho, o processo), chegamos ao momento da transformação, do renascimento.


Segunda feira Santa, depois de Domingo de Páscoa, para quem se propôs e fez o caminho, será dia de nova partida.


Renascemos no domingo, festejamos as conquistas e segunda feira estaremos novamente na casa da partida, diferentes, mas iguais.


O que nos motivará para a ação e, que ação iremos desencadear, de que forma aplicaremos as aprendizagens adquiridas e consolidadas pela nossa experiência, até aqui?


O que mais desejo é sentir-me clarividente a todo o momento, ter as respostas certas. A cada passo, a cada decisão conseguir sentir e analisar e decidir sempre da forma mais correta, conseguir distinguir e classificar o que é verdadeiramente importante a cada segundo.


O que mais desejo é ser um pequeno deus, omnipresente, omnisciente e omnipotente. É essa centelha de Deus que procuro em mim em cada dia para me conduzir de manhã até à noite e depois na sequência dos dias, por toda a minha vida.


Procuro, mas quanto mais procuro, mais confuso tudo se torna, surgem ideias, conceitos, coisas em que nunca tinha pensado, e nessas ocasiões apetece-me deixar de pensar e simplesmente colocar-me sob a responsabilidade de alguém que tome conta de mim e que decida por mim. Alguém a quem eu possa atribuir responsabilidades, apontar falhas, assim sempre me poupo um pouco...


Procuro fórmulas e faço experiências cientificas, diariamente, para ver se encontro a melhor forma de viver a vida.


Já tenho uma coleção imensa de experiências guardadas numa caixa identificada com o rótulo "não resulta". Noutra caixa guardo as que "talvez resulte" e numa outra caixinha, bem pequenina, não encontro nada. Por fora pode ler-se "resulta".


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Como nunca tenho nada na caixa do que "resulta" vou procurando fora das minhas caixas, provavelmente nas caixas dos outros, vou comprando experiências (livros, cursos) e por vezes, raramente, volto às minhas caixas, Raramente, mas quando volto, frequentemente, surpreendo-me descobrindo que o que não resultou em determinada altura da minha vida, agora se adequa, serve e ajuda e ainda tem a vantagem de ser algo já experimentado, com o qual sinto algum à-vontade, pois já tinha desenvolvido alguma habilidade a quando do seu uso ineficaz.


Se estamos a chegar, o que nos motivará para uma nova ação segunda-feira Santa? 


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