Tal como a nossa casa, o amor também tem de ser cuidado

Em altura de limpezas de primavera, em tempo de renovação de interiores e do nosso interior, não podemos deixar de renovar também relações. Não somos só nós, não são só as coisas, não é só a natureza, que se renovam, tão ou mais importante e, a acompanhar todos estes renascimentos, será fazer renascer relações, emoções, sentimentos.


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No principio, parece difícil, iniciar uma mudança numa relação, iniciar unilateralmente.


Será agora, porque eu decidi, e até já imaginei como quero que mude e para onde quero que mude que irá resultar, que irá acontecer?


RELAÇÕES!


Não sou só eu, não são objetos, não é a natureza (que ninguém controla). São os outros, que não são bonecos, nem estão ali só porque nós queremos, a fazer o que nos apetece que eles façam. 


Se estamos numa relação, se nos comprometemos com alguém de alguma forma, remodelar essa relação passará por melhorar a nossa capacidade de comunicação, a nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, a nossa capacidade de perspetivar, de ver, ouvir e sentir profundamente o que o outro comunica.


E, partindo desse todo, comungar uma mesma ideia, um mesmo ideal. 


Como remodelar uma relação se só eu é que quero que isso aconteça? Se só eu é que acho que a remodelação é necessária?


Será?


Será, mesmo por aqui o começo. Sair da certeza de que só eu sinto a necessidade de fazer um "refresh".


Instalada a dúvida, móbil da mudança, teremos de abordar o outro.


Mas, e se o outro parecer uma rocha inabalável? Cheio das suas certezas (como eu). Com pouca disponibilidade para mudanças (como eu). Convencido de que está tudo bem como está e que não há melhor vida para além desta (como eu)?


A rocha inabalável que o outro é, é só aparência, como a nossa aparência. O outro também olha para nós vendo essa rocha, vendo que também nós não estamos disponíveis para mudar, e constatando que, mesmo quando anunciámos que iríamos mudar, passado pouco tempo voltámos ao mesmo.


Se calhar remodelar e fazer renascer são palavras (ideias) que correspondem a comportamentos demasiado pesados, para uma relação, que afinal, mal ou bem está estável e nos dá o q.b. necessário para (sobre)vivermos.


Remodelar irá fazer muita poeira, irá dar muito trabalho, teremos de nos esforçar imenso para arrastar móveis pesadíssimos (o nosso passado).


Agora que já baixámos a temperatura à vontade de mudar relações, que tal, se em lume brando, ou apenas no mínimo, cuidarmos da relação?


Sem ambições exageradas, sem obrigações e sem esperarmos ser correspondidos, dar-mos o nosso primeiro passo, no sentido de vivermos tempo de qualidade na companhia dos que connosco se relacionam.


Como? Estando presente, disponível, sendo consciente, comunicando o melhor de nós para refletirmos o melhor do outro.


Boas comunicações, boas comunhões!


PS - desliguem-se dos equipamentos...(o que estás aqui a fazer... vai lá... vai)!


 


 


 

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